quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Passado e Futuro no Presente. (Que frase ultrapassada)



Um dos grandes prazeres dos aficionados por música é quando elas retornam, fruto do trabalho de grandes profissionais.
Vi alguém falar na televisão, que existe um fenômeno do rock que de 20 em 20 anos as novas geração costumam ressuscitar, curtir, tocar e estudar hits antigos. E isso ocorre com os outros ritmos também. É fato que uma boa parte da população parece congelar no tempo e passam a escutar, por toda a vida, sempre os mesmos hits de sua adolescência. Mas acredito que isso ocorra, pela crença principalmente de nossos pais, em achar que “a nova musica” realmente não presta.
Muitas Músicas que foram sucesso há tempos atrás são maravilhosas para serem escutadas uma única vez, em um único dia, a cada ano, porque na época, ninguém mais as agüentava de tanto serem repetidas. Tenha noção de que, quem tem uma profissão ligada a musica e o seu público é de festas que rolam todo o tipo de gênero musical, o hit da discoteca Macho Macho Man, é uma pedra no sapato. Aliais, na época em que foi lançada ela já não prestava...
Imaginem o “Nossa Nossa, Assim Você me mata” daqui a 20 anos?
É do dia-a-dia, ou melhor, noite-a-noite de quem toca, substituir alguma música que não gostam, mas que caio no gosto do povo. Seria digamos assim, a que não pode faltar, mas que são muuuito ruins, porem a pista ama. Substituí-las dá um trabalho enorme e se faz tentando manter a pista pegando fogo, para não dar espaço para alguém pedi-lá.
O pesadelo é quando, um DJzinho ou bandinha, com as devidas desculpas da expressão, “provindos das profundezas do inferno”, decide ressuscitar uma música ruim depois de 1000 anos de morta, cremada e enterrada no concreto. Tenho visto muito disso na Internet, mas como o volume de informação dela é gigantesco, graças a deus, parte da porcaria não vinga e o que há de maravilhoso, quase sempre, ouço serem executadas em algumas festinhas.
Maravilhoso é quando elas somem dos CD’s caseiros e voltam em versões remix atualizadas. É a gloria. Principalmente quando a versão original, que provavelmente perdeu o pique, volta com suas características respeitadas. Optando-se pela nova roupagem, é possível presenciar em uma “nova pista” um hit que já foi seu em outras décadas. Isso não tem preço!
É certo que alguns músicos e DJs não conseguem repaginar sem tirar a essência e acabam trazendo de volta o que nunca tocou. Tornando-se, na tentativa de fazer o novo, ironicamente, ultrapassados. Lançando uma moderna maquina de datilografia, para uma geração completamente informatizada.
E seguem rumo à desqualificação de seu trabalho, ou melhor, do trabalho de outro!

“As 4 da matina, qualquer som é da hora!”


 Essa é a frase que de vez em quando é incursionada aos meus ouvidos. E entenda incursionada como uma invasão hostil em terra inimiga.

Trabalhando como DJ, já fui e já vi muitos serem vaiados as 04 da matina por terem posto um estilo ou uma música que não cabia ao horário, ao público e/ou ao ambiente.

Ouvi, absurdamente, até por gente da área, como donos de salões de recepções, funcionários de casas noturnas, decoradores de festas etc., porem o que mais me impressionou, foram pessoas que vivem de música arrotar essa idéia. Acho que é um triste caso em que a frase só serve para aquele exemplo, ou esse exemplo só serve para essa situação, algo assim...

Quantos por cento se atribui ao álcool como combustível da festa alegre e quantos são da música certa, na hora certa? Tenho uma intuição para a resposta, mas acho que todo profissional da música deve tentar decupar cada festa para obter essa resposta.

Decupagem foi uma expressão que aprendi em um curso de roteiro para vídeos, que consiste, originalmente, no ato de recortar, ou cortar dando forma. O método, muito utilizado no jornalismo, nada mai é do que observar a cena dando resposta para sete perguntas básica: ONDE é a festa? QUANDO é a festa? COMO foi planejada a festa? QUEM esta na festa? COM QUEM está na festa? POR QUE estão lá? PARA QUEM é a festa?

Essas perguntas ajudam na qualificação do ambiente, que muitas vezes não é o que estamos acostumados freqüentar, contribuindo para evitar a garfe e possíveis desentendimento.

Por via das duvidas, a verdade é que certamente ninguém acredita que um profissional, suponhamos, que tenha uma jornada diária de 8h, trabalhasse 7 horas com afinco, cuidado e eficiência e, na ultima hora de sua jornada, trabalhasse como lhe desse na cabeça.

Por isso é recomendado pelo profissionalismo, lavoro até a última hora do contrato.