sexta-feira, 27 de março de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Rumo a defesa da dissertação.
RESUMEN
La praxis de la
educación nos ofrece siempre las preguntas y inquietudes que nos pueden llevar
a buscar respuestas en diversos temas cubiertos por las ciencias sociales y más
concretamente por la pedagogía. Las tecnologías de la información y la comunicación
forman parte de una serie de cambios en cómo los individuos son en sí mismos, y
en su relación con los otros, siendo necesario identificar cómo la escuela se
hace de la situación, y sobre todo, como transmite este conocimiento a la
sociedad. De este modo, esta investigación trae toda una reflexión con el
objetivo de entender el uso de la tecnología para la enseñanza, anotando entre
las diversas directrices, que de hecho contribuye a la mejora de la enseñanza y
la calidad de vida de los maestros, tratando de ver los intereses y agravios
más inmediatos, centrándose en las tecnologías utilizadas en el aula y más
específicamente en el uso de proyector multimedia. Utilizando el método de
monografía para la verificación de los objetivos, se adoptó como instrumento de
recolección de datos en el campo de la investigación, en forma descriptiva, el
envío de los cuestionarios a los
encuestados a través de e-mail, basados en la observación de los hechos,
tal como se produzcan. Hemos adoptados el cuestionario electrónico por las
siguientes razones: alta capacidad de recolección de información en forma inmediata y de bajo
costo para llegar a varias personas al mismo tiempo, y sin la necesidad de la
presencia del investigador. El envío de links de búsqueda Google Drive, la
publicación en los correos electrónicos institucionales a profesores, y enlaces
en Facebook, nos permitieron la unión de los elementos para su análisis y conclusiones sobre la utilización de la
herramienta multimedia, revelando los deseos y las dificultades de los
profesores en el tratamiento de tecnologías educativas. También hemos
garantizado el anonimato del encuestado, ya que al concluir la encuesta y ser
recolectada la información, el sistema solo registra la fecha y hora de envío,
sin dato alguno del profesor investigado, lo que contribuye a que los datos
obtenidos cumplan fielmente con los
deseos del informante. Utilizamos preguntas cuantitativas que
proporcionaron el perfil de la enseñanza y el contexto del comportamiento del
uso de la tecnología, así como también algunas preguntas abiertas, con el
objetivo de, no sólo preocuparse por el número y representación estática, sino
también profundizando en la comprensión de un grupo social en la praxis
educativa en cursos de formación profesional. Adoptamos como la muestra de
la investigación, 26 (veintiséis) educadores, de un universo de 46 (cuarenta y
seis) invitaciones enviadas, realizando actividades en la formación profesional
en Senac RN, y profesores del Centro de Educación Profesional de
Parnamirim. Esta muestra presentó información muy rica, dada la
heterogeneidad de las áreas, los grados de formación, y etapas de la
vida. En el proceso de entender mas profundamente el tema, hemos
identificado diversos comportamientos en cómo los profesores lidian con
tecnologías, en una muestra heterogénea de realidades personales y
profesionales, dándonos cuenta que, mientras algunos profesores
recorrer el camino de la formación y autodidatismo en la adquisición de
conocimientos de trabajo con la tecnología educativa en el aula, gran
parte de la muestra mostró que es a través de la escuela que se da el
inicio para el desarrollo de destrezas y habilidades para lidiar con la
parte de la tecnología.
Palabras clave:
Educación; Nuevas Tecnologías; Práctica
Educativa; Maestro; Uso de Tecnología Educativa.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
EXERCÍCIOS DE MATEMÁTICA
PROFESSOR: Miguel Trindade
REGRA DE TRÊS SIMPLES
1.
Uma usina produz 500 litros de álcool com 6 000 kg de cana – de – açúcar.
Determine quantos litros de álcool são produzidos com 15 000 kg de cana.
2. Um
muro de 12 metros foi construído utilizando 2 160 tijolos. Caso queira
construir um muro de 30 metros nas mesmas condições do anterior, quantos
tijolos serão necessários?
3. Aplicando
R$ 500,00 na poupança o valor dos juros em um mês seria de R$ 2,50. Caso seja
aplicado R$ 2 100,00 no mesmo mês, qual seria o valor dos juros?
4. Três caminhões
transportam 200m³ de areia. Para transportar 1600m³ de areia, quantos caminhões
iguais a esse seriam necessários?
5. Um pintor,
trabalhando 8 horas por dia, durante 10 dias, pinta 7.500 telhas. Quantas horas
por dia deve trabalhar esse pintor para que ele possa pintar 15.000 telhas?
6. Em uma disputa de
tiro, uma catapulta, operando durante 6 baterias de 15 minutos cada, lança 300
pedras. Quantas pedras serão lançadas em 10 baterias de 15 minutos cada?
7. Por mais de 6 anos José gastava 20 min para
percorrer 12 km até seu trabalho. Com a construção da ponte Nilton Navarro, o
percurso de José até seu trabalho passou a ser de 8 km. Quanto tempo José gastará agora?
REGRA DE TRÊS (PROPORÇÃO INVERSA)
1. Uma equipe de 5
professores gastaram 12 dias para corrigir as provas de um vestibular.
Considerando a mesma proporção, quantos dias levarão 30 professores para
corrigir as provas?
2. Em
uma panificadora são produzidos 90 pães de 15 gramas cada um. Caso queira
produzir pães de 10 gramas, quantos iremos obter?
3. A comida que restou
para 3 náufragos seria suficiente para alimentá-los por 12 dias. Um deles
resolveu saltar e tentar chegar em terra nadando. Com um náufrago a menos, qual
será a duração dos alimentos?
4. Para atender todas as
ligações feitas a uma empresa são utilizadas 3 telefonistas, atendendo cada uma
delas, em média, a 125 ligações diárias. Aumentando-se para 5 o número de
telefonistas, quantas ligações atenderá diariamente cada uma delas em média?
PORCENTAGEM
1. Quanto é 78% de 220,00 reais?
2. 18% de 1.200,00 reais equivale a quanto?
3. Quanto é 15% de 200,00 reais?
4. 35% de 1.200,00 reais equivale a quanto?
5. Quanto é 90% de 10.500,00 reais?
6. 60% de 30.000,00 reais equivale a quanto?
7. 30% do gasto com uma festa de aniversário
representou 600,00 reais. 28% representou os refrigerantes, 25% representou os
salgados, 15% representou os doces e 32% foi destinado a compra de produtos
descartáveis. Calcule quanto vale em reais todos os percentuais e informe o
valor total gasto.
8. 30% do gasto com uma festa de aniversário
representou 240,00 reais. 30% representou os refrigerantes, 45% representou os
salgados e 25% representou os doces. Calcule quanto vale em reais todos os
percentuais e informe o valor total gasto com alimentação.
9. 20% do gasto com uma festa de aniversário
representou 400,00 reais. 40% representou os refrigerantes, 25% representou os
salgados e 15% representou os doces. Calcule quanto vale em reais todos os
percentuais e informe o valor total gasto com a festa.
10. Junior tem duas opções de pagamento na
compra de um computador: sem juros, em 03 parcelas iguais de 420,00; ou à vista
com 8% de desconto. Nesse contexto, qual o preço desse computador se for
comprado à vista?
11. André tem duas opções de pagamento na
compra de uma moto: sem juros, em 06 parcelas iguais de 666,66; ou à vista com
10% de desconto. Nesse contexto, qual o preço dessa moto se for comprada à
vista?
12. André tem duas opções de pagamento na
compra de uma moto: sem juros, em 06 parcelas iguais de 500,00 reais; ou à
vista com 10% de desconto. Nesse contexto, qual o preço dessa moto se for
comprada à vista?
13. Durante 4 dias Sr. Brasileiro gastou 12
min para percorrer 6 km até o Senac. Com o advento do Carnatal acontecer em
Parnamirim, o percurso do Sr. Brasileiro teve que ser alterado, acrescentando mais
1,5km para o mesmo destino. Quanto tempo Sr. Brasileiro gastará agora?
14. Uma loja tem
400 funcionários. O número de funcionários aumentou em 25%. Quantos funcionários tem a loja?
15. O
médico disse que Margarida estava 30% acima do seu peso ideal. Quando
perguntado sobre quantos quilos deveria Margarida perder, ele respondeu 24 kg.
Qual é o seu peso ideal?
JUROS
SIMPLES
1. Qual o
valor do juro correspondente a um empréstimo de R$ 6.200,00, pelo prazo de 01
ano, sabendo que a
taxa cobrada é de 3% ao mês?
2. Calcule
os juros do capital de R$ 36.000,00, colocado à taxa de 2,5% ao mês, de janeiro
a novembro do mesmo ano.
3. Qual o
valor do juro correspondente a um empréstimo de R$ 3.200,00, pelo prazo de 18
meses, sabendo que a taxa cobrada é de 3% ao mês?
4. Calcule o
juro simples do capital de R$ 36.000,00, colocado à taxa de 30% ao ano, de 2 de
janeiro de 1990 a 28 de maio do mesmo ano.
5. Qual a
taxa de juro cobrada em um empréstimo de R$ 1.500,00 a ser resgatado por R$
2.700,00 no final de 2 anos?
6. A que
taxa o capital de R$ 24.000,00 rende R$ 1.080,00 em 6 meses?
7. Um
capital emprestado a 24% ao ano rendeu, em 1 ano, 2 meses e 15 dias, o juro de
R$ 7.830,00. Qual foi esse capital?
8. Uma
aplicação de R$ 400.000,00, pelo prazo de 180 dias, obteve o rendimento de R$
60.000,00. Qual a taxa anual correspondente a essa aplicação?
9. Calcule
o montante de uma aplicação de R$ 950,00 em um trimestre, a uma taxa de 10% ao
mês.
JUROS COMPOSTOS
1- Calcular o montante de uma aplicação de R$ 3.500,00, pelas seguintes taxas efetivas e prazos:
a) 4% a.m. e 6 meses
b) 8% a.t. e 18 meses
c) 12% a.a. e 18 meses
2 - Em
que prazo um capital de R$ 18.000,00 acumula um montante de R$ 83.743,00 à taxa
efetiva de 15% a.m.?
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Escutei essa frase há algum tempo e fico me
perguntando se realmente o foco de um curso de atendimento ou o objetivo maior
de um empresário, ao orientar seus colaboradores, seja nessa direção.
Sabemos que em tempos de muita concorrência e
demanda em alta de produtos, assim sendo a qualidade no atendimento deixa de
ser apenas uma estratégia de diferenciação e passa a se tornar realmente uma
questão de sobrevivência.
Contudo, o que comprovamos corriqueiramente é uma
grande diferença, de aspectos simples, entre o que deveria ser feito em um
atendimento e o que realmente encontramos no mercado. E geralmente colocamos a
culpa apenas encima dos atendentes, quando na verdade, quase sempre, não são os
maiores culpados. Sendo a gestão desastrada a grande culpada pelas lambanças no
atendimento.
Então o que acontece com os gestores? Não estão
atentos para o mercado? Não observam o atendimento de sua organização? Não
sabem a fundo sobre qualidade? Nunca escutaram a expressão “fidelizar clientes”?
Estão imersos nas diferentes áreas de gestão da empresa, que pequenos
detalhes do atendimento, acabam por passar despercebidos?
A estatística publicada pelo Sebrae durante
muito tempo revelava, absurdamente, que mais 70% das pequenas e médias empresas
brasileiras fecham suas portas antes dos 4 primeiros anos de vida.
Todas as leituras, que pude consultar,
apontam que a falha permeia sobre o motivo pelo qual se abriu o negócio. Alguns
estudiosos relatam que no Brasil temos dois perfis bem definidos de novos
empresários: Um é o empreendedor empresário, aquele investidor mais preparado,
que lida mais rapidamente com as intempéries do mercado, que se arrisca
embasado em estatísticas e aposta, sendo capaz de controlar os resultados e de
conduzir os rumos de seu negócio. O
outro é o empreendedor, que por necessidade mesmo, acaba por abrir um negócio
em decorrência da falta de oportunidade de emprego e que, quase sempre, não tem
estudo nas áreas de administração, experiência e quiçá maturidade para lidar
com o seu próprio negócio.
Quer saber como vai uma empresa? Preste
atenção ao seu atendimento. O atendimento serve como termômetro, capaz de
pontuar em que nível de má gestão encontra-se uma empresa, pois de fato ele não
é a causa dessa má gestão, mas o reflexo dela ou a conseqüência.
Atendimento não se faz apenas tirando as atitudes
negativas! É algo a mais! É necessário pesquisa, posteriormente planejamento,
gente capacitada, estruturas desburocratizada o suficiente para satisfazer as
necessidades do cliente e burocratizada o suficiente para manter o controle,
investimento em procedimentos ágeis, estudo, treinamento, planos de incentivo,
motivação, medo de perder, recrutamento e seleção de pessoal bem feito, disposição
para o trabalho, conhecimento da concorrência etc.
Não há mais espaço para “achismos”, métodos apenas empíricos
de tomada de decisão, desperdício de capital de giro, investimentos em
propagandas erradas, atendentes que aprendem apenas fazendo, mau planejamento
do estoque, mercadorias sem giro, engessamentos em atendimento, salários
mínimos que não atraem pessoas capacitadas, dentre outros. Esses são alguns
fatores que também contribuem para transformar a capacidade empreendedora de
nossos brasileiros, em um rápido e sofrido passeio pelo mundo empresarial. São
por essas e outras que costumo escutar de amigos da área: “adoro gestão, mas
odeio a mentalidade dos gestores”.
Há um terceiro gestor. Para esse eu
gostaria de citar minha indignação. Esse é leigo de tudo, empreendedor de nada,
empresário de si mesmo, a quem chamo de caronista babão de político, que passa
a vida em cargos comissionados – esse é o desastre de nosso pais.
Então mudemos a frase para “a ordem é
evitar gestores negativos”.
Reflexão Sobre a Construção de um Modelo Educacional.
Autor: Miguel Felipe Gomes da Trindade
RESUMO
A reflexão da realidade faz-se necessário sempre! Essencialmente mediante crises e o clamor da população, para que haja ações urgentes de mudança do quadro presente. Certamente o modelo de educação não somente brasileiro, como vistos em boa parte da literatura consultada, atinge resultados morosos e insatisfatórios diante de padrões de nações ditas desenvolvidas. O presente artigo se estrutura a partir dos seguintes blocos temáticos: apresenta uma compreensão básica e introdutória sobre a busca por um modelo eficiente e eficaz de educação, bem como indica formas de se buscar esse modelo, entendendo suas vantagens e complicações. Alerta para modismos de modelos educacionais e critica a falta de modelos de qualidade que possam indicar um norte a ser debatido e buscado como forma de sair da inércia de nossas políticas e melhor aproveitar os recursos.
A reflexão da realidade faz-se necessário sempre! Essencialmente mediante crises e o clamor da população, para que haja ações urgentes de mudança do quadro presente. Certamente o modelo de educação não somente brasileiro, como vistos em boa parte da literatura consultada, atinge resultados morosos e insatisfatórios diante de padrões de nações ditas desenvolvidas. O presente artigo se estrutura a partir dos seguintes blocos temáticos: apresenta uma compreensão básica e introdutória sobre a busca por um modelo eficiente e eficaz de educação, bem como indica formas de se buscar esse modelo, entendendo suas vantagens e complicações. Alerta para modismos de modelos educacionais e critica a falta de modelos de qualidade que possam indicar um norte a ser debatido e buscado como forma de sair da inércia de nossas políticas e melhor aproveitar os recursos.
Palavras-chave: Modelo
Educacional; Habilidade e Competências; Futuro da Educação.
INTRODUÇÃO
Qual o Educador, aluno ou pai, independente do tamanho de sua comunidade,
que ainda não tenha se perguntado, qual seria a forma de educar mais adequado para preparar e
formar o indivíduo para o pleno exercício da cidadania e para o mercado de
trabalho? É uma simples pergunta que envolve toda e qualquer sociedade, mas
essencial para que se possa projetá-la para um futuro de sucesso.
Sabemos
que a mudança deve acontecer como vimos em 2013, às ruas de todo pais clamando
por melhorias. Contudo a grande massa não sabe como proceder diante de tanto
caos, refletido no dia a dia de cada um e nas estatísticas educacionais brasileiras.
O
sistema de ensino público é visto por pensadores, correntes e tendências como
obsoleto e incapaz de se renovar, de forma que as críticas alimentam-se,
preocupantemente, de um sentimento de crise.
Um
indicativo, trazido das empresas é de que para que haja um começo, é necessário
um olhar para dentro das estruturas educacionais e ter como referência o
ambiente externo que pode requerer a revisão de sua contribuição para a
melhoria de sua resposta para a sociedade. É essencial que haja um norte
a ser seguido, como forma de buscar em conjunto, de forma clara e objetiva, um
modelo eficiente de construção do saber.
Na
verdade, é preciso perguntar: Qual o modelo de Educacional deveremos buscar? E
tão importante quanto: “Qual é o seu modelo de Educacional que vem sendo
adotado?
Na
escolha de um há um conjunto de escolhas a serem feitas pelos educadores, sobre
caminhos a serem traçado para a melhor construção do saber, sobre o trabalho de
gestão, como eles definem objetivos, motivações, esforços, coordenação das
atividades e alocações de recursos.
Importante
lembrar que escolher ou formatar um modelo é fazer escolhas. Escolhas sobre
como as atividades são coordenadas pelas políticas educacionais, como são
tomadas as decisões descentralizadas (em cada rincão), escolhas sobre a
natureza dos objetivos que cada escola almeja e escolhas sobre como os
indivíduos estão motivados para prosseguir estes objetivos.
A verdade
é que não existe receita para o sucesso no desenvolvimento de um modelo de educacional,
há muitas abordagens válidas e o primeiro passo é ter uma liderança comprometida
(corpo docente), em atender a todas essas escolhas sendo um exemplo a ser
seguido pelos demais componentes da estrutura escolar.
REFERENCIAS TEÓRICAS
No
campo da administração enxergamos que
as grandes soluções, idéias
e inovações provem da clientela, em busca de satisfazer suas necessidades e
anseios. Contudo essa comunicação ainda precisa ser mais ágil, barata e
traduzida de forma segura; além do que deve ser objeto de pesquisa em tempo
real, para que seja capaz de nortear as ações da gestão na busca da qualidade,
no gerenciamento de recursos, geralmente escassos e na gestão de
conflitos.
È objetivo de quem estuda Educação
buscar o produto ideal, ou seja, o modelo mais eficiente na educação, capaz
realmente de desenvolver as habilidades e competências do corpo discente, que em
nossas
instituições, tem se mostrado pouco eficiente.
Estamos presos a ementas e imersos a conteúdos que não são capazes de acompanhar a evolução
do mercado de trabalho, pouco se investe em aperfeiçoamento para o professor e
o investimento em estrutura e tecnologia são mínimos.
Preparar um ser para
viver melhor é muito mais profundo do que apenas dotá-lo de conhecimentos em
matemática, português, ciências etc, pois, mais do que o qualificar, é
necessário fornecê-los mecanismos capazes de desenvolver suas habilidades e
competências.
É perceptível que embora alguns bons alunos que tenham a
facilidade de se expressar bem na forma escrita, ainda possuam dificuldades de
se expressar oralmente, encapsulados por seus complexos, de forma ansiosa e
envolta pelo medo de errar e/ou esquecer suas explanações. A grande maioria tem
dificuldades preocupantes para administrar sua vida financeira, para planejar
sua careira, para gerenciar seu tempo e para transformar simples conhecimentos
teóricos em práticas.
Gerar competência é
bem diferente de fornecer qualificação. Competência estar relacionada a
conhecimentos, habilidades e atitudes, estando voltada para a gestão de
recursos e de mudanças. Sendo assim, educar não pode define-se mais com uma
simples difusão do conhecimento, para tanto é necessário administrar situações
complexas de aprendizagem, visto que o colegiado deve se tornar um centro capaz de refletir
sobre suas práticas, de resolver problemas, de ensinar a escolher e por fim, de
elaborar estratégias pedagógicas mais eficazes.
Todo e
qualquer modismo surge como a solução a ser objetivada para a obtenção de uma
maior qualidade e aproveitamento de recursos. Cada época traz consigo os modelos
de fazer ciência, de interpretar os problemas e de enxergar o mundo. Esses
modelos que surgem estão ligados a aspectos políticos, sociais e econômicos da
sociedade, de forma que os caminhos propostos no campo educacional não fogem à
regra, pois muitos e diferentes são os encaminhamentos que vão surgindo na
história da Educação em nosso país e no mundo. Dentre estas propostas é que
aparecem termos como: “interdisciplinaridade”,
“construtivismo”, ‘‘educação global”, “‘currículo transversal”,“centros de interesse”,
“metodologia de projeto", dentre outros.
Muitos são os termos abordados em
educação que podemos encontrar em destaque nas prateleiras das livrarias,
conforme destaca Maria do Socorro de Souza (1998:11),:
"As edições pedagógicas
enchem as prateleiras de livros sobre construtivismo, interdisciplinaridade e
pedagogia de projetos. (...). Nas diretrizes curriculares atuais apresentadas
pelo MEC aparece: ‘Interdisciplinaridade como uma das diretrizes para uma
Pedagogia de Qualidade’. Professores se dizem construtivistas e indagam aos
outros se também o são. Os pais dizem que não acreditam no construtivismo. Uns
chamam de método construtivista, outros dizem: ‘não é método, é teoria’.
Escolas ainda anunciam que a Educação Libertadora já passou, sendo agora a vez
do construtivismo. Dentro das escolas, os professores vivem a
interdisciplinaridade, fazendo viagens com os alunos, nas quais vão professores
de mais de uma disciplina, orientando o trabalho de geografia, história, etc.
Todos estão tentando viver a interdisciplinaridade, planejando com seus
colegas, falando de outros saberes em sua aula."
Bem mais
interessante do que tentar trazer diversos conceitos e definições sobre o que
compõe esses modismos é tentar entender de que forma eles surgem. Vejamos que,
a interdisciplinaridade emerge
oficiosamente como forma de contrapor a fragmentação do saber que atinge a
pedagogia mundial.
Em civilizações antigas, em oposição ao saber das sociedades atuais, podemos observar que o saber se construía de forma mais global, como pontua Silvio Gallo (1994:159):
Em civilizações antigas, em oposição ao saber das sociedades atuais, podemos observar que o saber se construía de forma mais global, como pontua Silvio Gallo (1994:159):
"Nas
sociedades antigas, a produção do conhecimento fazia-se em respostas às
necessidades de explicação de uma realidade misteriosa que era experimentada no
dia a dia, espantando os nossos ancestrais e levando-os a formular questões
fundamentais em torno do sentido da vida e do universo. As repostas então
construídas estavam inseridas naquele contexto social e eram necessariamente
globalizantes: misturavam religiosidade, engenhosidade e praticidade. Deste
modo, os primeiros conhecimentos sobre o mundo construídos pelo homem não
estavam dissociados, mas todos brotavam de um ponto comum e procuravam
explicá-lo."
Ainda
segundo Gallo, a partir da revolução industrial, mediante o acúmulo do saber,
foi ocorrendo de um lado, uma especialização cada vez mais radical dos saberes
e das ciências, e de outro, a perda do domínio da totalidade do conhecimento
global sobre a realidade pelos indivíduos.
No
entanto, ao mesmo tempo em que ocorria a fragmentação e a especialização dos
múltiplos saberes, no trabalho, a produção deixava de ser autônoma e complexa
nas mãos de indivíduos qualificados, passando a ser um processo de produção
atomizado e desqualificado. Assim é que, tarefas que no passado requeriam certa
qualificação profissional foram divididas e subdivididas em várias tarefas
simples que qualquer pessoa sem formação poderia desempenhar. E, como nem todo
trabalho era possível de ser realizado por pessoas sem uma qualificação
profissional especializada, toda tarefa específica passou a ser realizada por
especialistas. E é por esta razão que a educação da época era direcionada ao
desenvolvimento de habilidades, altamente especializada, fragmentada e
desconectada de um todo que poderia ser a sociedade, o corpo humano, ou um
edifício.
O modelo
de produção, tão pontuado nas escolas de Engenharia e Administração, proposto
por Taylor e aprimorado por Ford, passou a declinar nitidamente na década de
80, quando as sociedades, principalmente que iniciavam a reconstrução da
democracia, clamavam por novas necessidades de uma economia de produção mais
flexível e a elevação do consumo trazia consigo, a busca por produtos
diferenciados e conectados com os padrões globais de tecnologia. Sendo assim as tarefas fragmentadas e o trabalho
individualizado cedem, dando lugar ao trabalho em equipe com ênfase sobre a
participação dos trabalhadores.
Essa
evolução prova que a sociedade é mutante nas suas necessidades e dessa forma, a
indicação de um modelo educacional comum a toda nação, poder-se-á ser um
caminho perigoso, no tocante a o engessamento das formas de construção do
saber. Sendo assim, trazer o melhor da contribuição de diversos autores e
educadores é por si só formar um debate, indicar um caminho e democratizar o
pensamento filosófico já registrado.
Se o
processo de globalização exige indivíduos mais capazes de resolver problemas
cada vez mais complexos, então também requer indivíduos com saberes cada vez
mais globalizado. Assim sendo, nesse novo ideal de educação vê-se surgirem os
conceitos como ensino globalizado, participação do aluno na construção do
saber, democracia nos debates, trabalho em equipe, abrangência dos
conhecimentos, autonomia para a administração do tempo e por fim, a grande bola
da vez, cadeira cativa na formação pedagógica: a interdisciplinaridade.
Um currículo interdisciplinar é um
tipo de método de ensino ou plano de curso, que incorpora as contribuições de
vários assuntos disciplinares em um único tópico. Funcionando de certa forma como um resgate desse
conhecimento mais abrangente, proporcionando aos alunos não apenas a
compreensão do tema central, mas uma profunda compreensão das relações, do
contexto mais amplo do assunto e trazendo nos
valores de contextualizar a informação como um meio de melhorar a compreensão.
Porem nem tudo são flores, pois revendo os críticos da interdisciplinaridade, observamos a sugestões de que o método poderá levar a ignorância dos tópicos mais essenciais, pois na busca por explorar o que é importante a ser levantado dentro do assunto, possa se perder a missão crítica planejada para uma aula.
Na
prática, visto o entendimento de diversos autores, a interdisciplinaridade,
provem da necessidade de trocas entre os especialistas e na integração das
disciplinas num mesmo projeto de pesquisa ou plano de ensino, sendo necessário
refletir a fundo sobre a produção, a transmissão e a aquisição do conhecimento.
Contudo,
o conceito propriamente dito, ainda como exemplo, a interdisciplinaridade, é
algo ainda em construção, tratando-se de um campo de estudo ainda não
solidificado. O que Ivani Fazenda (1995a:30-1) esclarece, pontuando que o termo
“interdisciplinaridade” não
possui ainda um sentido único e estável e que trata-se de um neologismo cuja
significação nem sempre é a mesma e cujo papel nem sempre é compreendido da
mesma forma. O que nos leva a observar que são por estes motivos que as
discussões e o estudo sobre o assunto ainda se encontrem presentes em destaque
em vários lugares, juntamente a outros termos tão debatidos em estudos de
melhoria da qualidade na educação.
Maria
Clara Infante Pereira juntamente com outros autores (1991:288), em um artigo
intitulado "A Interdisciplinaridade no Fazer Pedagógico", assim
escreveram:
"Ela
pressupõe a interação, e não simplesmente a integração de disciplinas
científicas, de seus conteúdos e diretrizes, de sua metodologia, de seus
procedimentos, de seus dados e da organização do ensino. Acreditamos na
interdisciplinaridade como instrumento que pode contribuir para que a escola
seja um lugar onde se produza coletiva e criticamente um saber novo."
Então,
para a formatação de um estudo serio e comprometido, há a concordância de
diversos autores da área de gestão educacional que não se é possível a adoção puramente
de uma escola ou modelo por imposição ou por mero modismo, pois sua
prática exige um planejamento integrado, que em geral não é tarefa simples.
Para tanto, algumas questões devem ser pensadas, tais como:
1. De que
modo a globalização, em toda sua corrente neoliberal, determina a forma de
implementação de um modelo na educação?
2. A
dificuldade da operacionalização de um modelo origina-se da necessidade de
recuperação em caráter emergencial de nossa construção do saber?
3. A
implementação de um currículo especifico será uma obrigação imposta pelo MEC às
instituições de ensino, ou será uma exigência de mercado para que o individuo,
em sua formação, tenha uma visão mais ampla das origens dos problemas e suas soluções
históricas?
4. Como
nossos professores poderão adentrar na transmissão do saber por uma abordagem imposta
ou recomendada, se suas formações primavam por um modelo que foi transferido
durante anos de docência em suas áreas de conhecimento?
5. Como sair
da formula “cartesiana” de ensino, fazendo com que o aluno contribua para a
produção do saber e, de forma responsável, não apenas seja um mero receptor do
conhecimento?
6. Como
tornar a sala de aula menos chata?
Embora
instituir o direcionamento por um modelo bem debatido seja tarefa árdua nos
primeiros momentos, é sabido que “o caminho é o caminhar”, pois precisamos
abrir as portas e janelas, para que a educação areje-se de conceitos
evolutivos, mesmo que para isso seja necessário beber de fontes importantes do
passado. Fontes essas bem justificáveis, pois é notório que boa parte dos
professores brasileiros ainda não as tenham conhecido.
Dessa
forma podemos trabalhar a construção de um modelo não como o fim. Sendo para
tanto, necessário em primeiro lugar uma atitude, por parte do professor, uma
predisposição psicológica a ser desenvolvida no aluno e entendimento por parte
das instituições de ensino, da necessidade de garantir recursos como tempo,
investimento e apoio destinados aos educadores, de forma que estes possam ter
condições de estudo, pesquisa e preparo de um trabalho inovador, diferenciado e
qualitativamente bem embasado.
Precisamos
de vistas largas, de um pensamento que não se feche nem nas fronteiras do
imediato, nem na ilusão de um futuro mais que perfeito. À maneira de Reinhart Koselleck
(1990), interessa-nos compreender de que modo o passado está inscrito na nossa
experiência actual e de que modo o futuro se insinua já na história presente.
Pensar
o futuro é um exercício arriscado e, muitas vezes, fútil. Mas, apesar dos
avisos, não resistimos à tentação de imaginar o que nos irá acontecer,
procurando, assim, agarrar um destino que tantas vezes nos escapa. Como revela
Pierre Furter.
O
horizonte não existe para nos trazer de volta à origem, mas para nos permitir
medir toda a distância que temos a percorrer. O homo viator constrói uma casa apenas para o tempo necessário, pois
é caminhando que ele se encontra e descobre o sentido da sua ação. (Furter,
1966, p. 26)
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O
conhecimento não é somente histórico, epistemológico, lógico, mais também
dialógico. O grande caminho para evolução dos nossos sistemas de ensino é
transformar esse conhecimento imposto, unilateral, incutidor de idéias,
doutrinador, hierarquizado de cima para baixo, para um ensino dialético. A
dialética é revolucionaria e construtora, a contradição é o berço da mudança, o
berço da liberdade, o berço da transformação e ela somente se dá no dialogo.
Para que possamos construir e muda o que tem que ser mudado, é preciso que a
escola apenas não forme gente, mas sim os forme formando-se. Se todos já
tivessem essa consciência, então educação sem desperdício de investimento e
alto rendimento no desenvolvimento de habilidades e competências, para todos,
já seria uma realidade.
A partir do movimento pela construção de um modelo educacional de excelência, é que será possível a construção de uma visão ampliada e humanista sobre a educação, que fortalecem os princípios da não segregação, convivendo com a diversidade de opiniões, a valorização da socialização e da igualdade, fomentando a relação professor-aluno-pais e cultura escolar. Sendo também através da análise e elaboração de estratégias próprias, de cada escola e de cada professor, a partir de sua realidade, de sua formação e convicções que aglutinaremos saberes novos sobre o que é eficiente e eficaz, que irão auxiliar na construção de uma didática aperfeiçoada para trabalhos futuros.
BIBLIOGRAFIA
FAZENDA, Ivani C. A.
Interdisciplinaridade: Um projeto em parceria. 3ª ed., São Paulo: Loyola 1995.
FAZENDA, Ivani C. A.
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FREIRE, Paulo Reglus Neves. Pedagogia do
oprimido.New York: Herder & Herder, (manuscrito em português de 1968).
Publicado com Prefácio de Ernani Maria Fiori. Rio de Janeiro, Paz e Terra,
1970.
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https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=eXYpwqcXI6s, 2010.
FREIRE, Paulo Reglus Neves. Entrevista
no Programa Memória Viva, TV Universitária da UFRN. Gravado 1996. Reexibido em
abril de 2013.
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Editora Vozes, 1966.
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Entrevista no documentário Educadores do Brasil,
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GALLO, Sílvio. Conhecimento, transversalidade e Educação. In Impulso, v. 10, n.º 21, 1997.
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KOSELLECK,
Reinhart. Le Futur passé -
Contribution à la sémantique des temps historiques. Paris: Éditions de
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Artigo:Inclusão Escolar: Um Desafio Entre o Ideal e o Real. http://www.portaldaeducacao.com.br/pedagoria/artigo2284.
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Maria T. de M.; CAVOUR, Regina M. A. A interdisciplinaridade no fazer
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SANTOMÉ, Jurjo T. Globalização e Interdisciplinariedade:
O currículo integrado. (Trad.) Cláudia Schilling, Porto Alegre: Artes Médicas,
1998.
SOCORRO, Maria do. Construtivismo,
interdisciplinaridade e pedagogia de projetos: Forças mobilizadoras do
pedagógico? In Revista de Educação AEC, ano 27, nº 109, out./dez. 1998.
ARTIGO: Entendendo dos os movimentos sociais brasileiros: manifestações
populares de meados de 2013.
Autor: Miguel Felipe Gomes da Trindade
RESUMO
O ano de 2013 deve ficar marcado na História do Brasil como o ano das reivindicações e protestos populares em massa. Os levantes iniciaram motivados principalmente pela alta no preço das passagens do transporte, a falta de transparência das planilhas de rentabilidade das empresas de ônibus coletivo e a falta de qualidade nos transportes de massa. A partir dessas ocorrências as manifestações populares ganharam novos ares, ampliando-se, trazendo novas e diversas pautas de reivindicações. O artigo traz toda uma reflexão objetivando o entendimento desse cenário inesperado de protestos populares, pontuando entre as diversas pautas, o que de fato é essencial e emergencial para a população, tentando enxergar os interesses e insatisfações mais imediatas. O artigo traz ainda os links que os jovens tem demonstrado fazer, entre a falta de um sistema de educação de excelência com outros problemas tais como: o crescimento da violência, da desigualdade, do preconceito e do desemprego.
O ano de 2013 deve ficar marcado na História do Brasil como o ano das reivindicações e protestos populares em massa. Os levantes iniciaram motivados principalmente pela alta no preço das passagens do transporte, a falta de transparência das planilhas de rentabilidade das empresas de ônibus coletivo e a falta de qualidade nos transportes de massa. A partir dessas ocorrências as manifestações populares ganharam novos ares, ampliando-se, trazendo novas e diversas pautas de reivindicações. O artigo traz toda uma reflexão objetivando o entendimento desse cenário inesperado de protestos populares, pontuando entre as diversas pautas, o que de fato é essencial e emergencial para a população, tentando enxergar os interesses e insatisfações mais imediatas. O artigo traz ainda os links que os jovens tem demonstrado fazer, entre a falta de um sistema de educação de excelência com outros problemas tais como: o crescimento da violência, da desigualdade, do preconceito e do desemprego.
Palavras-chave: Movimentos Sociais, Rede Social, Manifestação.
Introdução
A sociologia sendo a ciência que estuda a sociedade e as regras de seu
funcionamento nos traz, através de seus conceitos, teorias e métodos, um
excelente instrumento de compreensão das situações que ocorrem no cotidiano da
vida e de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. Segundo Rafael Araújo, coordenador da Escola de
Sociologia e Política de São Paulo e professor da PUC-SP, "Ela avalia a
interação entre os indivíduos e seus desdobramentos na formação de grupos,
associações e instituições".
Através das observações pontuadas por cientistas sociais é que objetivamos aqui traduzir os nuances das manifestações desencadeadas em meados de 2013.
O ano de 2013 deve
ficar marcado na História do Brasil como o ano das reivindicações e protestos
populares em massa. Para surpresa de todas as esferas do governo, quanto da
população, as insurreições destacam-se não somente por acontecer nas capitais
de nosso país, como também no interior, trazendo uma inesperada quantidade de
manifestações, de diferentes reivindicações e de grande volume de manifestantes
engajados na luta.
Os levantes iniciaram
motivados principalmente pela alta no preço das passagens do transporte, a falta
de transparência das planilhas de rentabilidade das empresas de ônibus coletivo
e a falta de qualidade nos transportes de massa. Reconhecidamente liderada por
grupos estudantis. Contudo, as manifestações populares ganharam novos ares,
ampliando-se, trazendo novas e diversas pautas de reivindicações, até se tornar
um dos mais impressionantes movimentos vistos ate hoje no Brasil.
A priori, entender todo esse cenário
inesperado de protestos populares, parece ser tarefa fácil para um país que
ainda tem tanto por fazer e consolidar. Contudo, apesar de todas as
reivindicações serem importantes e relevantes para cada cidadão que foi a luta,
pontuar dentre as diversas pautas, o que de fato é essencial e emergencial para
a população, ou seja, seus interesses
e insatisfações mais imediatos, constituem-se como algo mais
complexo a ser estudado.
Em pesquisa realizada pelo IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada,
sobre as prioridades dos jovens brasileiros, o item mais citado
pelos jovens foi educação de qualidade (85,2%), seguido pela melhoria dos
serviços de saúde (82,7%). O instituto consultou jovens com idade de 15 a 29
anos, solicitando para cada entrevistado escolher, entre 16 temas, os seis que
seriam prioritários. O método é o mesmo utilizado pela Organização das Nações
Unidas (ONU) na pesquisa My World, cujo objetivo é subsidiar a definição das
novas Metas do Milênio, a partir de 2015. A terceira opção mais citada pelos
jovens brasileiros foi o acesso a alimentos de qualidade (70,1%) e em quarto
ter um governo honesto e atuante (63,5%), demanda que, em nível mundial, fica
na quinta colocação.
Curiosamente, a
melhoria nos transportes e estradas, citada por 40,9% dos jovens como uma
prioridade, foi a demanda que deu início à série de protestos. No mundo, esse
tópico é apenas a 15ª prioridade entre as 16 possibilidades.
Tão comum a esses levantes populares é a difusão das informações via
redes sociais, não sendo um fenômeno apenas brasileiro, pois o mundo tem
assistido nos últimos tempos uma grande quantidade de protestos e muitos desses
oportunizados pela Internet.
Compreendendo os movimentos sociais: Interesses e insatisfações
Comum a todos os autores
consultados é que, em linhas gerais, os movimentos sociais giram em torno de
dois motivos básicos: defender interesses e manifestar insatisfação. Por mais
variada que seja a pauta de discussão, por mais objetiva ou abrangente que
ecoem as reivindicações, o cerne dos protestos serão, quase sempre, ou um ou os
dois motivos juntos.
Segundo
SOUZA(1997), as análises Históricas dos movimentos sociais no Brasil
revelam forte enfoque teórico oriundo do marxismo, cada um com sua pauta de
reivindicação específica. No entanto, todos expressavam as más condições
econômicas e sociais presentes em nossa sociedade. Quando se expressavam no espaço
urbano possuíam um leque amplo de temáticas como por exemplo, as lutas por
escola pública, por creches, pela moradia, por transporte, saúde, saneamento
básico etc. No meio rural, a diversidade de temáticas expressou-se nos
movimentos de bóias-frias (das regiões cafeeiras, citricultoras e canavieiras,
principalmente), de posseiros, sem-terra, arrendatários e pequenos
proprietários.
Desde o inicio da sociedade moderna, os movimentos sociais sempre
representaram as tendências de mudanças, marcando geralmente um período de
micro ou macro ruptura com formas antigas de poder. Micro quando ocorrem
mudanças apenas no interior de certas estruturas, sem substanciais alterações
no poder dominante e Macro quando elas rompem com o poder, destituindo-o.
Perpassando
pelos movimentos mais marcantes da História de nosso país, SOUZA (1997) pontua:
Em meados de 1950: os movimentos nos
espaços rural e urbano adquiriram visibilidade através da realização de
manifestações em espaços públicos (rodovias, praças, etc.). Os movimentos
populares urbanos foram impulsionados pelas Sociedades Amigos de Bairro - SABs
- e pelas Comunidades Eclesiais de Base - CEBs.
Nos
anos 1960 e 1970: mesmo diante de forte repressão policial, os movimentos não
se calaram. Havia reivindicações por educação, moradia e pelo voto direto.
Em
1980: destacaram-se as manifestações sociais conhecidas como "Diretas
Já" e pelos “Caras Pintadas” que foram as ruas lutar pelo impeachment do Presidente Collor.
Em
1990: o MST e as ONGs tiveram destaque, ao lado de outros sujeitos coletivos,
tais como os movimentos sindicais de professores, dos bancários etc.
“Concomitante
às ações coletivas que tocam nos problemas existentes no planeta (violência,
por exemplo), há a presença de ações coletivas que denunciam a concentração de
terra, ao mesmo tempo que apontam propostas para a geração de empregos no
campo, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); ações
coletivas que denunciam o arrocho salarial (greve de professores e de operários
de indústrias automobilísticas); ações coletivas que denunciam a depredação
ambiental e a poluição dos rios e oceanos (lixo doméstico, acidentes com navios
petroleiros, lixo industrial); ações coletivas que têm espaço urbano como locus
para a visibilidade da denúncia, reivindicação ou proposição de alternativas”.
O sociólogo e professor da Universidade Federal de Goiás, Pedro Célio, relata
que com o crescimento das cidades, veio também grandes mudanças nem sempre
abrangidas pelo consenso dos interesses dominantes. Motivando grupos
específicos a manifestar suas expectativas e inconformismos com a intenção de
também serem considerados legítimos na esfera pública. Dessa forma, as
manifestações ocorrem por que a sociedade precisa funcionar atendendo
interesses, geralmente antagônicos, e isso faz com que grupos se sintam menos
prestigiados e passem a reivindicar direitos que acreditam ter-lhes sido
tirados.
“Na origem da vida moderna, os movimentos
sociais de mais repercussão envolviam quase sempre os conflitos de trabalho e
capital”, afirma Pedro Célio. As reivindicações giravam em torno de baixos
salários, carga horária excessiva, exploração de mão de obra e afins. “Depois
de certo tempo, passamos a ter uma gama bem mais ampliada de entidades
excluídas do consenso dominante, que geram mais protestos”.
Dessa maneira,
aparecem movimentos de todos os tipos e gêneros, organizados por grupos que
sentem que seus anseios não são atendidos pelo poder dominante, como o
movimento feminista, o LGBT em pró do respeito a homo afetividade, os negros contra
o racismo, uma comunidade buscando infraestrutura básica, os usuários do
transporte coletivo, os artistas, os funcionários públicos, os professores, e
todos quantos se sentirem excluídos.
Revisando a
literatura sobre o assunto, em específico GADOTTI (1998) constatamos que um erro comum quando se trata de movimentos sociais, é
achar que a sociedade é quem se organiza em prol de um ou mais objetivos. Na
verdade quem se organiza são grupos distintos, pois por mais ampla que seja uma
reivindicação, certamente ela não englobará todas as esferas da sociedade. É
preciso perceber que os interesses de um grupo da classe trabalhadora não são
os mesmos dos empresários. As insatisfações dos produtores rurais não são
iguais às dos ambientalistas. Então, como a sociedade é formada por grupos de
interesses antagônicos, por mais vasto que seja a conveniência de uma
reclamação, ela não tem relevância para todos.
As passeatas, manifestações nas ruas,
difusão de mensagens via internet, ocupação de prédios públicos, greves,
marchas entre outros, são características da ação de um movimento social. Nas manifestações brasileiras, as demandas conclamadas pelos grupos que
protestam, estão ressoando para um grande número de pessoas e mesmo que as
reivindicações não abranjam toda a sociedade, os interesses em questão são
comuns para uma maioria. O que justifica a tamanha proporção da participação
popular.
Bem interessante é a
observação relatada pelo prof. Pedro Célio de que é comum e estratégico para os
grupos organizados pela luta social, incorporar as necessidades de outros
grupos para conseguirem mais adeptos, e se expandirem. “Qualquer movimento, na
sua origem, tem um motivo específico. Mas à medida que eles traduzem os desejos
de outros grupos, esses movimentos expandem sua área discursiva, abrangendo
interesses e necessidades de cunho diverso, ficando mais forte”.
A ação nas ruas é o que dá visibilidade
ao movimento social, principalmente quando este é coberto por toda mídia. Ainda que alguns não possam estar fisicamente em “praça pública”, digitalmente,
através da internet e mais especificamente por meio das redes sociais é
possível concatenar os interesses e insatisfações, ou seja, ser ainda assim,
atuante nos manifestos.
Quebra de paradigmas nos novos movimentos sociais brasileiro
O surpreendente desses novos movimentos e que talvez
marque numa nova era de protestos são: a união dos movimentos, a
inexistência de uma liderança única e a difusão da informação através das redes
sociais.
As passeatas que
aconteceram em todo o Brasil tiveram, em comum, a participação de muitos grupos
de indivíduos reivindicando questões diferentes das propostas pela organização
inicial. Foi possível notar a união de outros grupos já articulados. O que
podemos observar foram reuniões com representantes de vários outros grupos a
fim de traçarem metas mais bem definidas, e que englobasse reivindicações
comuns a todos.
Vimos curiosamente a
ausência de um líder específico para representar os grupos. A história dos
movimentos sociais sempre traz consigo a figura de uma pessoa que estava à
frente, estipulando metas e ditando as ordens. Dessa vez foi diferente. Os
grupos se assumiam como independente e sem liderança.
A falta de um líder
poderia ser, para muitos estudiosos, um dos principais motivos para levar uma
empreitada desse tamanho a sucumbir em sua própria fragilidade de força, porém,
ironicamente, o que se notou é que essa característica deu mais poder ao
movimento. As manifestações ganharam mais vigor por se estruturarem em desejos
espontâneos, onde não havia um líder manipulador tentando emplacar alguma causa
que beneficiasse apenas pessoas específicas. O que se viu foi uma rede de
indivíduos, onde cada um era seu próprio líder, com pautas diversas, abertos
para todos que quisessem opinar.
Toda essa dinâmica só
foi possível dada à comunicação via Internet. De forma que as Redes de
Computadores, mais especificamente as redes sociais, tornaram-se ferramentas
agregadoras entre os manifestantes, sendo um local usado para discussão de
pautas, chamamento popular e definição das reivindicações de forma mais ágil.
Logicamente que nas
redes sociais o ativismo não é tão engajado como na vida real. O que vimos é
que a internet foi o principal espaço para discussão de idéias, e que, a partir
daí, com tantos problemas visualizados, as pessoas passaram a exercitar mais
sua cidadania e sinalizam adentrarem cada vez mais ao processo de politização,
defendendo idéias e ações, a favor de uma opinião ou alguém e contra outros. Talvez
cansados de tanta discussão, os brasileiros foram a luta e ao irem a praça
pública, compreenderam que a internet deve ser utilizada como sendo um meio e
não um fim. Que ela de fato é um grande fórum de debates, mas a rua é o grande
palco que privilegia a prática
efetiva de transformação da realidade.
A Pressão Popular e Algumas Conquistas
A primeira pauta, sobre o aumento das tarifas de transporte coletivo, já
obteve ganho com redução ou retorno para os valores praticados anteriormente em
várias cidades do país. Restando em algumas capitais a conquista do “Passe
Livre” e a melhoria da qualidade.
Outra reivindicação atendida
com sucesso, foi a derrubada da aprovação, já quase certa, da Proposta de
Emenda Constitucional (PEC) 37, que tratava das competências das Polícias e do
Ministério Público em relação aos inquéritos policiais. A população não apoiou
o texto da emenda e se manifestou contra sua aprovação, e foi o que aconteceu,
mesmo depois de a maioria dos deputados terem se mostrado favoráveis a ela.
O Governo Federal
sinaliza pra um grande plano efetivo para sair do colapso da saúde. Logicamente
é um problema muito grave no Brasil e necessita de mais aprofundamento nas
discussões, o que tem levado a classe medica, até então considerada uma das
elites das profissões de formação universitária, para as ruas em forma de
passeata, buscando não somente a defesa da classe, como a construção de modelos
de gestão e melhorias de programas de saúde pública.
Na Educação as
reivindicações mais emergentes são as mesmas desde a década de 80. Contudo a
pressão popular transmite a mensagem que mesmo que tenhamos evoluído na pasta
educação, a carência de nossa população é imensa, de forma que essas ações
estão longe de serem satisfatórias e que a pasta necessita de mudanças imediatas
e não que venham “a conta gotas”. Bem relevantes são os links que os jovens tem
demonstrado fazer, entre a falta de um sistema de educação de excelência com
outros problemas tais como: o crescimento da violência, da desigualdade, do
preconceito e do desemprego.
Conclusão
Os movimentos sociais são sinais de
maturidade social que podem provocar impactos conjunturais e estruturais, em
maior ou menor grau, dependendo de sua organização e das relações de forças
estabelecidas com o Estado e com os demais atores de uma sociedade. Historicamente os protestos têm o poder de mudar os rumos de uma nação,
e mesmo não ocorrendo grandes mudanças sociais, a manifestação em ultima
analise, contribui para que a população perceba as insatisfações e absorvam uma
cultura de reivindicações. Talvez, daqui para frente os jovens que vivenciaram
esses protestos possam valorizar e contribuir mais na construção do saber
sociológico, principalmente
quando percebem a relação direta com a sociedade em que vivem.
O país vivenciou a rebeldia de um pré-adolescente que
passa a contestar os paradigmas autoritários e reprimistas de seus tutores,
para evoluir na construção do seu próprio espaço. Jovens estudantes entram em contanto direto
com vivencias de insatisfações de qualidade de vida, quiçá de teorias sociológicas e criam oportunidades para a
formação de atitudes e comportamentos mais sensíveis, a medida que passam a
enxergar os diversos mundos e/ou as diversas realidades sociais.
O primeiro objetivo a
ser alcançado em movimento social é o reconhecimento da expressividade e
legitimidade do grupo protestante, através da oferta de acessibilidade para
debate por parte dos poderes constituídos.
Essa ação por si só não garante o atendimento das reivindicações na sua
amplitude, sendo necessário, o próximo passo de desenvolver as articulações políticas com o poder, para que se poça conquistar os
direitos de forma expansiva.
Contudo, como
articular com o Estado sem que elejamos lideres para estabelecer esse dialogo?
A resposta é que teremos alguns “caronistas políticos” nesse processo, bem como
também teremos pessoas sérias que comprarão a briga, dando a cara a bater,
podendo se constituir como heróis anônimos ou não. Então dessa forma, mesmo que
tenhamos as tão almejadas reformas políticas, tão clamadas nas ruas, é provável
que para nossos futuros lideres no caminho do poder elegido, a História se
repita.
Referências
Bibliográficas
BORGES, Dr. Pedro Célio Alves..Periodico
Tribuna do Planalto.. Sociólogo e professor da Universidade Federal de Goiás. http://tribunadoplanalto.com.br.
GADOTTI, Moacir. Educação e poder. (Cortez, 1988), Paulo Freire: Uma
bibliografia (Cortez, 1996),
IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica. www.ipea.gov.br
Portal da Educação. http://www.portaldaeducacao.com.br
SOUZA, Maria Antônia. Movimentos
sociais no Brasil contemporâneo: participação e possibilidades no contexto das
práticas democráticas. Dissertação de Mestrado em Educação. Parana, 1997.
Universidade Tuiuti de Curitiba, PR.
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